quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Uma pena

“O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa.” Era o que ouvíamos na tevê da salinha daquele que hoje é um pré-histórico computador. Como foi bom aquele tempo que, por mais que eu queira, não volta mais. Éramos felizes. Brigávamos e fazíamos as pazes. Brigávamos novamente e dois segundos depois estávamos lá, um bajulando o outro. Hoje, aqui, sentado em frente a um computador qualquer, tornei-me um sedentário, chato, cheio de vícios e solitário. Ao olhar essas fotografias antigas o choro sempre será o eterno companheiro. Uma pena você ter mudado tanto assim. Uma pena a vida não ser como outrora. Uma pena.

Por Ederson Hising

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Não sai

não me sai da ideia
tento fugir mas me encontra
tento encontrar mas foge
não me sai da ideia
volta tempo, volta
aquele dia insiste
em não querer voltar
as marcas estão no vidro
as digitais e as gotas secas
cansado demais pra me iludir
não me sai da ideia
tento fugir mas me encontra
tento encontrar mas foge
não me sai da ideia
aquele dia insiste
em não querer voltar
poderia dizer mais
acho que não preciso
sou claro o bastante
não me sai da ideia
tento fugir mas me encontra
tento encontrar mas foge
não me sai da ideia
aquele dia insiste
em não querer voltar
as digitais e as gotas secas
as marcas estão no vidro
e além dele, muito além
- ainda falta, volta.

Por Ederson Hising

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Fim

O fim pressupõe o recomeço. Não sei se é o caso do "Dois a um".
Como disse Fernando Pessoa antes do fim: Não sei o que o dia de amanhã trará.
Após nossas férias por tempo indeterminado prometemos que novidades vêm por aí!
Obrigado a todos que, neste ano, passaram por este blog.
Feliz ano novo e felicidades!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Poema bêbado

o calor é intenso e o álcool
toma minha mente
ouço música
sinto o mundo girar
devagar, penso em te encontrar
nessas madrugadas entorpecentes
ando por todos os cantos
rodo por toda a cidade
e você está em algum lugar
eu sei que está
sentada em pé deitada
a falar a meditar a olhar
eu sozinho
sem pistas sempre em vão
uma doce ilusão
fruto da mente escrava
e as linhas que escrevo
não são mais retas
as paralelas se cruzam antes mesmo
do infinito
sinto os pés sem atrito
levo o olhar por todos os lados
todos os cantos
embaixo da mesa
sobre o telhado
bêbado de saudade
jogado à beira da rua
ao lado de alguns litros
de qualquer pinga barata
em qualquer canto
de uma cidade qualquer.


Por Ederson Hising

sábado, 5 de dezembro de 2009

Confesso meio abestalhado que...

no determinado instante
em que te olhei, lá, sentada
com a face tristonha
e os olhos sem brilho
pensei em lhe oferecer ajuda
- mas sei que recusaria.
teus sentimentos inconfessos
que atrapalham tuas noites
me fazem perceber
o quanto poderia ser diferente
se aceitasse a ideia de que
a vida não se entende
o sol nem sempre ilumina
e estivesse ao meu lado
e me permitisse lhe dizer:
estou aqui, minha menina.


Por Ederson Hising

domingo, 29 de novembro de 2009

Recordações

eu lembro
foi quando cortei o cabelo
você estava de saia camuflada
- disfarce equivocado –
entrou tímida
olhares contidos
eu como sempre calado

eu lembro
foi quando você voltou
você estava de jeans
- e rosto maquiado –
entrei tímido
você misteriosa
olhares trocados

eu lembro
foi quando voltei do vestibular
você estava de shortinho
- e blusa cor de rosa –
sentei à beira do caminho
você me abraçou
olhares hipnotizados
mãos e dedos entrelaçados

eu lembro
foi quando invernou
você estava de azul
- desviando-se para os lados –
encostei ao portão
você atirou tudo ao chão
olhares inconformados

eu lembro
não me canso de lembrar
essa saudade sorrateira
embaralha meu pensar


Por Ederson Hising

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Marionete


Há tanto a vida me leva pelos braços, vezes arrastado, vezes como uma marionete-sem-futuro, sem escrúpulo algum. Há tanto não tenho parado para pensar no quão ruim tenho sido e no que pode ser melhor para mim nesse momento. Não tenho, porque, afinal, não tenho parado para nada. Nada, que sinto e me sinto; nada que sou. O que faz um tapa ao chão? O que o faz a mim, se é que sou digno de ser considerado um “eu”. A grande possibilidade de ser considerado um impossibilitado tem me trazido café à cama todos os dias, com um sorriso meia-boca, sem graça. Mas, se queres me fazer desistir, antes, me faça acreditar que posso ser algo. Ao léu, sinto falta do choro, do riso, da fé, e até dela, a quem chutei e jurei a mim mesmo não querer mais ver. Aquilo sim era epopéia, peça magistral, distinta desse teatro sem cor, monótono e monólogo, de cortinas que se abrem para escancarar a derrota da mais sem futuro das marionetes, o escritor de meia-pataca e sem rumo algum.


Por Erick Gimenes