quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Perto de mim

Perto de mim
flores amarelas mortas caem
merda escorre pelo ralo
esgoto transborda na tubulação
flores de merda em meio ao esgoto
merda amarela enfeita as flores
esgoto de flores na multidão
amarela vivência entre flores
e solidão.

Por Ederson Hising

De minha janela*

"...Atrás de minha janela
uma vida me persegue.
Com meus trejeitos
imitando quase nada
continuo a observar
a vagar
devagar
sem pensar no que há
à esquerda
à direita..."


* Trecho do poema "De minha janela" de Ederson Hising.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dica de leitura

Abaixo, o link para quem quiser se deleitar com belas poesias e textos de um dos melhores escritores do Brasil - em minha opinião - Ferreira Gullar, inclusive com alguns narrados pelo próprio autor. Boa leitura!

http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/porelemesmo/index.shtml

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Há tempos

Há tempos trabalho
para atingir seu coração
mas mesmo que aches
não tenho pressa
tenho objetivos
e se alcançados
feliz estarei
mas se por ventura
eu não tiver sucesso
longe
e triste e desolado e amargurado
e lúgubre e fúnebre e ensandecido
pensarei
- e estarei a pensar
pelo resto de minha vivência –
naquilo em que há tempos
acreditei.

Por Ederson Hising

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Acontece

Tempo não tenho
Mas não o faço por obrigação,
Certas feitas da vida
Não vêm precedidas de explicação,
Exatamente por isso,
Possuem um quê a mais,
Transformadora de minha paz
Há tanto tempo,
Algo assim não atingia
Simples, do nada,
Causando frisson
Chegou e não demorou,
Sabor de desafio
Tentando enlouquecer,
E Chico já deu o tom,
“Futuros amantes
Que amarão sem saber”

Por Ederson Hising

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Os anos com Débora

Recordo-me sem esforço de meu primeiro dia de aula. Escrever os números de 1 a 100 foi minha grande missão. Minha e de alguns ilustres companheiros (as) de classe. Sentado à frente de Ciclinda, a professora, o gordinho de cabelo lambido e óculos, mostrava-se empenhado – como seguiu por muitos anos, até descobrir que era desnecessário tanto esforço assim.
Só que dessa vez, a historia não é minha e sim daquela garota magriz, com quem não conversava. Passaram-se anos, cinco para ser mais exato, e o máximo que arriscávamos era um oi, muito tímido por sinal. A pequena bailarina, com discrição, conseguia passar despercebida aos olhos da maioria.
Separados pelos caminhos da vida, mal nos trombávamos na pacata cidadela que não consta no mapa. Parece ironia, mas, foram necessários mais cinco anos, para que enfim, pudéssemos ter uma relação, no mínimo, de coleguismo – inicialmente.
Dez anos depois, muita coisa mudou. O Brasil era penta, não existiam mais Torres Gêmeas e Lula, quem diria, estava no segundo mandato. No rapaz, o cabelo lambido deu lugar a uma despenteada cabeleira e a barriga, incrivelmente, havia diminuído. Na moça, a discrição deu lugar à molequice e as sapatilhas foram trocadas por belos pares de all-star.
Unidos novamente pelo destino dentro de uma sala de aula, por razões inexplicáveis foram colocados lado a lado. Começara ali, a razão desta história, até então, introdutória.
De lá para cá, a relação se tornara intensa, mas caros leitores – se é que os tenho – podem tirar o cavalinho de chuva, pois não é uma história de amor ou sexo. Trata-se de algo que nem os dois entendem. E, diga-se de passagem, é preciso, Débora?
Questionamentos a parte, voltemos ao que interessa neste momento. Débora e o escriba, por diversas vezes, são acusados de atos que não praticam, entre os dois, é claro. Mas isso não interfere em nada, apenas é motivo para boas e vagarosas risadas.
Risadas. Ah, risadas. Inconfundíveis risadas, vocês tem, não? Uma mais estranha que a outra. O que sempre acaba em mais risada. Aliás, juntos o que mais praticamos nessa vivência é a felicidade.
A irmandade, outrora confundida pelas famílias, tornou-se algo essencial. Atualmente, é motivo de indagações nas residências dos nobres amigos, quando um não aparece procurando pelo outro. Indagações tão naturais quanto as brincadeiras e garotices praticadas em conjunto.
Gostos em comum, olhares que se decifram e presença que completa. Unidos, em presença ou em mente, são capazes de confortar e fazer companhia um ao outro, mesmo quando não temos saco para nada.
Arrisco-me a dizer que os anos com Débora causam remorso. Afinal, porque ter esperado dez anos? E digo mais. Para mim, todos deveriam ter uma Débora. Porque afirmo isso? Justamente por não me ver mais sem uma dessas.

Por Ederson Hising