sábado, 22 de maio de 2010

Entorpecentes

A mente girando
em ciclos viciosos
de tempo.
E o tempo não passa.
Flashes de tempo,
frames prolongados.
Quadros perdidos
no intervalo de segundos,
em horas.
A leve brisa
faz-me sentir como pluma.
E o tempo,
o tempo não passa.


Por Ederson Hising

domingo, 16 de maio de 2010

O dia em que eu nasci

Ao som de viola e rock and roll,
a infelicidade à minha frente.
As luzes se apagaram
e algo, de dimensões gigantescas,
crescia, aproximava-se.
Um impulso, o resto do reflexo
esquerda, pensei, porque direita...
não, não deu tempo
de pensar em direita.
Um estouro e um vôo,
os intermináveis segundos
de angustia e desespero.
Berros, ferros, plástico,
borracha, medo, ecos.
Giros e mais giros.
Tudo parou.
O primeiro suspiro
veio com a vontade de sair dali.
É o céu? É o inferno?
Eu estou vivo?
Um anjo apareceu,
estendeu a mão
e me ajudou a sair.
A perplexidade estampada
as ferragens retorcidas
e emolduradas, meticulosamente,
por mãos divinas.
Formaram um casulo, o meu.
Sangue no rosto, cortes no corpo
Hematomas de felicidade.
Anjos não paravam de chegar
de toda parte, doces,
cuidadosos como uma mãe.
Anjos me levaram de lá
Anjos me trouxeram pra casa
Anjos divinos, eu vi Deus.


Por Ederson Hising

sábado, 8 de maio de 2010

Conquista

Transcende qualquer tipo de sentimento. É vital, indefinível essa emoção inigualável. E eu vibrei, como tantos outros. Eu senti novamente aquele gosto de ser o maior por alguns instantes, de poder extravasar sem me preocupar com quem estivesse ao lado. Como há muito não fazia, urrei uma felicidade – que para os outros naquele momento – estava estampada em meu semblante. Pude, ao menos por instantes, soltar um grito bem alto – e libertador. Junto a ele, estavam meus problemas, minhas angústias e a mais sincera felicidade que um ser humano pudesse sentir. Apanhei bandeira e abraços. À minha volta, fulanos e cicranos desconhecidos que sentiam o mesmo que eu. Eles tinham seu momento de glória – nós tínhamos.

Por Ederson Hising