domingo, 16 de maio de 2010

O dia em que eu nasci

Ao som de viola e rock and roll,
a infelicidade à minha frente.
As luzes se apagaram
e algo, de dimensões gigantescas,
crescia, aproximava-se.
Um impulso, o resto do reflexo
esquerda, pensei, porque direita...
não, não deu tempo
de pensar em direita.
Um estouro e um vôo,
os intermináveis segundos
de angustia e desespero.
Berros, ferros, plástico,
borracha, medo, ecos.
Giros e mais giros.
Tudo parou.
O primeiro suspiro
veio com a vontade de sair dali.
É o céu? É o inferno?
Eu estou vivo?
Um anjo apareceu,
estendeu a mão
e me ajudou a sair.
A perplexidade estampada
as ferragens retorcidas
e emolduradas, meticulosamente,
por mãos divinas.
Formaram um casulo, o meu.
Sangue no rosto, cortes no corpo
Hematomas de felicidade.
Anjos não paravam de chegar
de toda parte, doces,
cuidadosos como uma mãe.
Anjos me levaram de lá
Anjos me trouxeram pra casa
Anjos divinos, eu vi Deus.


Por Ederson Hising

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