segunda-feira, 30 de março de 2009

Assuntos desconexos

Dentes amarelos,
Tênis apertado
Vontade de vencer
E travado pelo vício de perder

O sabor da derrota
Não é tão amargo
Principalmente,
Quando se torna algo natural
A vontade pelo por vir,
Um sonho banal

Sinto como se cada pé
Tomasse um rumo
Perdido e sem prumo
Vejo árvores pela janela
Idiotice pensar
Que existe alguém à minha espera

Rimou bem,
Soou trágico
Quando algo simples
Torna-se mágico

Bom, acho que isso
Nunca aconteceu
Pelo menos comigo,
Ser humano perdido

Cabeça nas alturas,
Frustrado,
Frases desconexas,
Que no fundo fazem sentido

Pensar na vida é entender
Que não existe saída
Não adianta gritar calado
Mão no casaco
Bato a porta,
Estou de partida

Sinal fechado,
Carteira vazia
Seremos um dia
Fotos de estante
Lembrados,
Em algum instante

Mente confusa,
Sorriso pálido
De algum modo
Sem graça
E por mais que faça
Não é como antigamente

Eu sabia ser feliz
Felicidade,
Embaixo do nariz
Era fácil,
Mas não entendia

Hoje,
Por vezes renovado
E ao mesmo tempo
Completamente desanimado.

Por Ederson Hising

sábado, 28 de março de 2009

Filme de Terror

Só vejo mortos-vivos. Desorientados, desacordados, mal-cheirosos e feios, muito feios. Seus olhares fechados se cruzam naquele salão. Suas faces boquiabertas, babam a impotência de não poder fazer nada além de estar ali, apáticos, imóveis. Presos, ali eles permanecem dia a dia, numa espécie de contagem regressiva para a implosão de suas histórias, e sob a vigilância e o cuidado dos vampiros. Ah, os vampiros! Vestidos com roupas pomposas, sustentam-se assim. Ficam ali, a todo instante, prontos a se lançar ao primeiro pescoço que ousar sair da estática posição a que foram acomodados. Outrora, sugam-lhes aquele sangue vermelho claro, já quase frio. Falsa sensação poder. Por aqueles mares, quem navega às pampas são os fantasmas.
Vestes brancas, imponência, ócio. À cadeira, expelem arrogância e ruídos assustadores, enchem o peito para gabar-se: podem estar em qualquer lugar, a qualquer hora. Não há discussão, são os melhores, afinal, passaram por uma vida a chegarem até ali, não?
Por vezes, Freddy passa para nos visitar. Há dias que, atordoado, esquece uma cabeça ou outra. Mas não há mal, sempre volta a buscá-las. Ainda faz gracejo, diz que trabalhar em casa não faz bem.
Vou lhe dizer. No início amedrontei-me com a situação. Por noites ficava reproduzindo aquele cenário em minha mente sonolenta, não conseguia pregar os olhos.
Era engraçado. Minhas pálpebras de modo algum encaixavam-se em uma posição confortável para o descanso.
Mas, como em tudo por aqui, acabei por me acostumar. Não havia e não há outro jeito.
É como..
Só um minuto.
Por favor, passe-me o bisturi, Jason?


Por Erick Gimenes

quarta-feira, 25 de março de 2009