
Será que essa merda vai valer a pena? Será que um dia vou parar de levar tapa na cara da vida? Será que amanhã vai fazer sol? Será que se eu dormir mais um pouco dá tempo? Será que se eu tivesse feito diferente teria dado certo? Será que nunca mais vou deitar com a cabeça tranquila? Será que cresci para sofrer? Será que saberei lidar com a eterna novidade do mundo para qual Pessoa disse termos nascido?
Será, será, será, serei. Sim, viverei a sofrer como um eterno inconformado a reclamar de tudo e de todos, da chuva e do sol, do frio e do calor, da vida e da morte, do amor e do desamor.
As fatais madrugadas acordado e observando estrelas e, analisando a lua mudar de lugar. Pela posição diferente, adivinhar de onde o sol virá. Estas madrugadas são para mim como facadas no peito, entram e estraçalham o que vier pela frente.
Odeio relatar em primeira pessoa, mas dessa vez é a única maneira de desabafar. Nem o humano mais completo seria capaz de compreender tanta perplexidade em meus olhos. Minhas lutas e minhas dores não comovem a ninguém e, nem sequer, acredito que sejam as piores.
O fato de ser cego todas as noites antes de dormir, machuca. Sentir-me imbecil quando lembro daquela história de amor, destrói a mim, mas deve ser a alegria de outros tantos, porém quem sou eu para estragar a alegria daqueles que enxergam a vida como uma viagem por meio de ervas e sintéticos.
Engulo e digiro como acho conveniente o que me dizem, e quase sempre, sofro de indigestão. E é indigesto pensar naquilo que não tenho mais e ainda não passou. As páginas parecem não mudar e triste seria não chorar, pois é o choro o único remédio. A dor renitente é capaz de ser mais libertadora do que sentir a brisa da manhã.
Levará muito tempo. Parece ser tarde mesmo sendo tão cedo. Solitário a reinar no mundo do óbvio. A eternidade presente. O relato se tornando crônica, a crônica virando poema e a dor se instalando, crônica.
Os finais nunca foram felizes. Nos esportes cansei de ser vice e no amor de ser substituído. E para um relato como esse não esperaria final melhor do que o da vida – nunca inteiramente feliz. Na verdade isso tudo me leva a acreditar que seja melhor adoecer e sentir a morte chegar distante do mundo urbanizado, do massacre e da falta de pudor.
Assim como Raul – o Seixas – indago em qual esquina a morte vai me beijar e com que rosto ela virá. Pensei até que não pudesse terminar esse copo de cerveja e o relato, o que talvez tivesse sido melhor.
Por Ederson Hising
Imagem a la Forrest Gump, o Erick vai entender.
ResponderExcluirDesabafos são necessários, a escrita? Melhor forma de fazê-lo. Hoje, 20 anos sem Raul :/ bela lembrança do Seixas no texto que, embora melancólico, não perdeu o caráter que é só seu, haha.