
Tal qual dois moleques, Globo e Record se estapeiam, durante os últimos dias, frente aos genuflexos olhos brasileiros. O conflito é mais um episódio da infindável guerra midiática, que acontece desde o início dos tempos dos veículos de comunicação. Ao campo de batalha, as maiores emissoras do país se enfrentam, sem vergonha, em um “Coliseu televisivo”, assistido pelo público boquiaberto. Como acontecia na áurea época romana, os homens condenados são sempre engolidos vorazmente pelos leões. Infelizmente, no teatro que presenciamos, a informação é a perdedora. Os leões: Edir Macedo, Roberto Marinho e seus sucessores.
Desde a compra da TV Paulista – contestada até hoje, por suposta falsificação de documentos -, em 1964, a Rede Globo de Televisão domina as ações televisivas brasileiras, monopolicamente. O domínio sempre foi claro e reconhecido pelas outras emissoras – o “padrão Globo” de produção. De fato, a empresa de Marinho tinha os melhores recursos e profissionais. Mas, como tudo neste mundo, a hegemonia se foi.
Pelo que se vê na imprensa, a antes incapaz vitória sobre a Rede Globo, em termos de audiência, agora acontece frequentemente. Líder da ascensão, a Rede Record parece ter ganhado confiança com tal possibilidade. Agora, exibe sorrisos de campeão para todos os lados, gabando-se e perdendo as estribeiras.
A emissora, pertencente ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, cresceu monstruosamente sim, tendo como núcleo do sucesso a competente equipe de jornalismo e programas de reconhecido sucesso no exterior, como os reality shows “Troca de Família” e “A Fazenda”. Porém, frequentemente erra, soterrando chavões veiculados a todo o momento em sua grade, como “Record, jornalismo de verdade”, deixando de lado notícias verdadeiras e conteúdos enriquecedores, endeusando a incessante busca pelo triunfo sobre a concorrência.
Após sucessivas vitórias da emissora de Macedo em audiência, os discretos ataques recíprocos se tornaram declarada guerra pessoal entre os líderes e suas peculiaridades. O clímax da peleja se deu quando, no dia 11 de junho, o Jornal Nacional (principal telejornal da Globo) exibiu aproximadamente dez minutos de reportagem acusativa ao bispo. A Record respondeu com mais: um programa inteiro, o Repórter Record, sobre os podres da desafeta e de seus líderes, Roberto Marinho e os filhos.
A partir desse momento, praticamente todos os programas e ações têm mensagens subliminares agressivas ideologicamente. A importância do público se apequenou diante do medo de cair ante ao rival; a televisão brasileira virou ringue de dois pequenos gigantes, que disparam socos subjetivos de olhos fechados, a todos os lados e sem escrúpulo.
Triste ver o momento midiático em que vivemos no Brasil, em tempos que precisaríamos de sua força, quando políticos são cada vez mais insolentes e a população, mais cética. A guerra da mídia é a da revolução, não a do retrocesso, como a que presenciamos atualmente. Chateado, torço para que não se perca o soldado mais leal nessa batalha sem nexo: a informação de qualidade.
Por Erick Gimenes
Ótimo artigo. Parabéns, Erick. No mais, tenho uma receita imbatível: o desligamento coletivo dos aparelhos televisores e a abertura, não menos coletiva, de livros e mais livros. Até auto-ajuda e Paulo Coelho ganham da desinformação televisiva.
ResponderExcluirWilame Prado, o pupilo de Reginaldo Bordin - no que diz respeito ao "amor" por Paulo Coelho.
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