segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jovem senhor

Tudo caminhava sem graça. O jovem de idade, mas velho de alma e cabeça sentia o mundo sem chão e o vento cortante no rosto. O cotidiano o consumia de uma maneira avassaladora, assim, como se a vida se resumisse em não viver. Sentimentos inconfessos embolados com ideias mirabolantes faziam do rapaz um vegetal, um sem rumo, um ser sem sentido.
Por mais inconformado que estivesse com a faculdade, a casa, o trabalho, os amigos, não percebia o porquê de todo esse inferno. Algo o conflitava todas as noites quando repousava a cabeça – inchada – no travesseiro. As costas doloridas e os ombros embolados eram sintomas de que já estava pesado demais para si mesmo.
Não percebia mais a alegria em simples gestos ou atitudes. Ranzinza e xarope, como era definido por um velho senhor, havia perdido a vontade de ser feliz. Da mesma maneira como se estivesse embriagado – e porque não o estaria –, as lentes de contato não davam mais conta do astigmatismo (ah maldito astigmatismo amigo da inconveniente miopia). Sim, bêbado ou não, não enxergava nada da forma como deveria.
O universo inteiro conspirando negativamente. Ele tropeçava em suas atitudes infantis. Atos impulsivos e impensados o levavam ao buraco. O sabor azedo da infelicidade ao som de caminhões na estrada e das batidas de peças de um ônibus. Lá estava o jovem senhor, escorado, olhando com as pálpebras pesadas através dos vidros embaçados.
A vontade era de se embriagar e esquecer que país é este. Sozinho, como era de praxe, vestindo roupas clichês, sentou à beira de um balcão e afogou as magoas em copos americanos – com cheiro de detergente –, cheios de cerveja barata. Ali, exatamente ali, percebeu como o mundo gira rápido demais para ficar em pé, como também, ainda teve consciência de notar como tudo passa tão devagar quando se tem pressa.
Sem luz no final do túnel, o drama engolia esse jovem senhor, que sem mais nem menos, resolveu viver por um dia. Relembrou como era sorrir, ter amigos verdadeiros, vontade de acordar e prazer em perder (ah como é incrível saber perder!). O motivo para isso tudo, ele faz questão de esconder, até mesmo da mente mirabolante que possuía.
Quem sabe, um alguém, uma razão que faltava, tenha dado as caras e mostrado que às vezes – ele diz no sentido real da expressão –, não vale à pena esquecer quem é, o que faz, quando precisa voltar para casa e correr atrás do que traz um conforto, pois em ser feliz, ele já era velho demais para acreditar.


Por Ederson Hising, talvez um jovem senhor

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