Tudo caminhava sem graça. O jovem de idade, mas velho de alma e cabeça sentia o mundo sem chão e o vento cortante no rosto. O cotidiano o consumia de uma maneira avassaladora, assim, como se a vida se resumisse em não viver. Sentimentos inconfessos embolados com ideias mirabolantes faziam do rapaz um vegetal, um sem rumo, um ser sem sentido.
Por mais inconformado que estivesse com a faculdade, a casa, o trabalho, os amigos, não percebia o porquê de todo esse inferno. Algo o conflitava todas as noites quando repousava a cabeça – inchada – no travesseiro. As costas doloridas e os ombros embolados eram sintomas de que já estava pesado demais para si mesmo.
Não percebia mais a alegria em simples gestos ou atitudes. Ranzinza e xarope, como era definido por um velho senhor, havia perdido a vontade de ser feliz. Da mesma maneira como se estivesse embriagado – e porque não o estaria –, as lentes de contato não davam mais conta do astigmatismo (ah maldito astigmatismo amigo da inconveniente miopia). Sim, bêbado ou não, não enxergava nada da forma como deveria.
O universo inteiro conspirando negativamente. Ele tropeçava em suas atitudes infantis. Atos impulsivos e impensados o levavam ao buraco. O sabor azedo da infelicidade ao som de caminhões na estrada e das batidas de peças de um ônibus. Lá estava o jovem senhor, escorado, olhando com as pálpebras pesadas através dos vidros embaçados.
A vontade era de se embriagar e esquecer que país é este. Sozinho, como era de praxe, vestindo roupas clichês, sentou à beira de um balcão e afogou as magoas em copos americanos – com cheiro de detergente –, cheios de cerveja barata. Ali, exatamente ali, percebeu como o mundo gira rápido demais para ficar em pé, como também, ainda teve consciência de notar como tudo passa tão devagar quando se tem pressa.
Sem luz no final do túnel, o drama engolia esse jovem senhor, que sem mais nem menos, resolveu viver por um dia. Relembrou como era sorrir, ter amigos verdadeiros, vontade de acordar e prazer em perder (ah como é incrível saber perder!). O motivo para isso tudo, ele faz questão de esconder, até mesmo da mente mirabolante que possuía.
Quem sabe, um alguém, uma razão que faltava, tenha dado as caras e mostrado que às vezes – ele diz no sentido real da expressão –, não vale à pena esquecer quem é, o que faz, quando precisa voltar para casa e correr atrás do que traz um conforto, pois em ser feliz, ele já era velho demais para acreditar.
Por Ederson Hising, talvez um jovem senhor
Reinvenção de Vanessa da Mata
Há 7 anos
ficou muito bom, querido (talvez)jovem senhor.
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