sexta-feira, 10 de abril de 2009

Órbita

Não há mais ar,
Não tenho mais ar
Por favor, ponha-me no chão
Por favor, pare de rodar
Não há horizonte
Se não houver um solo
Sente-me
Estou caindo
Por favor, sente-me

Quantas telas em aquarela,
Dissolvidas a dor
Pinturas
Pinturas
Mentes borradas a óleo
Vivências cubistas
Estou à órbita
Aqui não há suspiro
Aqui não há esperança

Como faço para sair?
Como consigo retornar?
Viajarei até os fins
Uma imposição da realidade
Oh, realidade absurda!
Há de se ver
Quão sem rumo vago
Quão vago é rumar
Não há mais ar
Não há mais

Por Erick Gimenes

Um comentário:

  1. Sufocante realidade colidindo com poderio de palavras que fluem, montando algo legível - ou não. Pra que repassar o que se sente? E se passa, por que passa? Dentre quatro elementos naturais, um em especial lhe falta, use os demais como válvula de escape. Ah não ser que a escapatória não seja uma prioridade, sufocar se torna a saída. Focar! Horizontes, norte, sul, leste, oeste. Outros focos, outras direções, sem necessário sentar ou levantar. Te tirar do chão? Seus pés jamais foram enraízados. A mobilidade é fato, é justa, é necessária. Vá correr, crie, tinja os temores com aquelas típicas cores da aquarela, do óleo, do acrílico. Livre-se do ocre, do vermelho chinês, do verde vessiê. Invente, vente, nove - inove. Existe o ar necessário pra você continuar presente nessa realidade esperançosa.

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