sexta-feira, 29 de maio de 2009

O fim

O fim,
A verdade da vida
Em segredo,
Sempre escondida
Jamais conhecida

O fim,
Almas vendidas,
Corpos ao chão,
Mera ilusão,
Quem disse que há compaixão?

O fim,
Encapuzado,
Disfarçado,
Atormenta.


Por Ederson Hising

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ricos




Por Erick Gimenes

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Vida

A vida,
O que espero dela,
Ou o que ela espera de mim?

Que seja forte, seja honesto, seja perfeito,
Que seja mudo, cego, torto ou direito,
Ou apenas que siga até o fim?

Não sei...
E quem é que sabe,
Ele, você ou todos nós?

Não ouço,
E às vezes compreendo
Porque o silêncio não tem voz.


Especial, por João de Castro

domingo, 24 de maio de 2009

Impressões cotidianas – parte I

Da sacada que tem na varanda de casa, a vista é bonita. O céu não poderia estar mais azul claro. Vejo árvores em meio aos fios da rede elétrica, o telhado das casas vizinhas, um pedaço de um colégio infantil, ruas, carros e um senhor destelhando uma casa. Ele, de chapéu, bota preta, camisa surrada e calça jeans, acaba de tirar mais uma telha e calcular o que ainda precisa fazer.
Olho para o outro lado e vejo meu cachorro tomando sol. Frederico, como é chamado por minha mãe, está com cara de segunda-feira. O cão preguiçosamente levanta a cabeça ao ouvir barulhos de uma construção, enquanto um jovem passa de bicicleta com a aparência normal de uma segunda-feira.
Moro nesta residência deve fazer uma semana e alguns dias, ainda nem sei ao certo o nome da rua e se faz parte do centro ou de algum bairro. Pelo que ouvi meu pai dizer a ruela leva o nome do avô de um amigo meu. Mas, ainda preciso confirmar, afinal, um jornalista sempre tem a obrigação de checar as informações.
Duas senhoras passam fofocando do filho de alguém e Frederico late para um cobrador. Certo ele, cumprindo o papel que lhe cabe. Por um instante volto a enxergar a vida como um ser racional e atendo o homem que perguntou do meu pai. Respondo com educação, o senhor agradece e enfim, volto ao meu momento de inspiração.
De repente, tudo fica em silêncio que somente é quebrado com o barulho da vinheta do Vídeo Show oriundo da televisão ligada na sala, onde minha mãe tira uma soneca. Sentado, volto meu olhar para o telhado onde o senhor de chapéu tirava telhas. Aos poucos ele reaparece, agora, munido de uma “colher de pedreiro” e um balde com concreto.
Sozinho, como de costume, lentamente proporciono o encontro de minhas pálpebras. Mesmo de olhos fechados continuo a observar o lento e paradisíaco começo de tarde de uma cidade interiorana, até mesmo porque, é sempre igual.
Lembro dos meus tempos de garoto quando jogava bola no quintal uniformizado com o – como diria meu avô – fardamento do glorioso alvinegro praiano. Naquele tempo era tudo mais fácil, eu brilhava. Era o artilheiro e mentor da equipe. Agora sou apenas mais um entre tantos. Não jogo mais bola, a não ser uns “pelinhas” com amigos aos finais de semana. Minha carreira é outra, porém não menos disputada.

- Filho! Acorda! Tá na hora de ir pra faculdade.


Por Ederson Hising

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vida devida

Para onde queres ir, vida?
Te crias, toma-te primeiro um rumo
Não te apresses em ser grande
Ouça-me bem
Lhe digo por ser bondoso
Tens sido por muito desobediente
Por isso, jamais esqueça o que vou lhe dizer
Escova-te bem os dentes
Há tempo não a vejo sorrir com brancura
Não aceite ajuda de estranhos
Balas são recheadas de maldade com hortelã
E, ah! Ponha-te já meias e blusa, menina!
Pode resfriar-se com o coração dos homens
Pulmões com hipocrisia é morte na certa
Ao ver ruas de esperança,
olhe para os dois lados
Caminhões de medo passam a toda velocidade
Pare de correr desse modo
Pode cair, e nunca mais voltará a ser a mesma
Entenda-me, não quero ser só azedume
Falo por que lhe quero bem, minha linda
Mas, por favor, obedeça-me
Já é escuridão
Acho melhor que vá dormir
Lembre-se do que sempre lhe falo
Cubra-se bem
A noite é como o mundo deste tempo
Frio
Frio e sombrio


Por Erick Gimenes

terça-feira, 19 de maio de 2009

Enfim

O incrédulo padeceu,

Do nada, sem explicação,

“Solito a reinar”.

Não dependia de si,

Sozinho, não sabia caminhar,

Ele que já tinha desistido,

Entregado os pontos,

Declarou-se e depois,

Dormiu ao som de “Fez-se mar”.


Por Ederson Hising

domingo, 17 de maio de 2009

O Beijo Sem Rima

O tempo parou com o rosto virado pra mim
Eu disse, o tempo parou!
Tudo ao meu redor parecia neutro
Era a adolescência se renovando em meus olhos.

Usei o artigo definido para expressar singularidade,
O beijo no rosto é injusto, aquele foi mais ainda.
Se beijo no rosto passasse informação,
Ela teria virado o rosto na hora.

Beijei.
Na lógica do beijo, o roubo é justo,
Por isso, fui injustiçado.

Mas deixa pra lá...
Só o próprio tempo explica certas decisões.



Especial, por Paulo André Zarpellon

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tarde Chuvosa

Abalos sísmicos no peito
Assim, como se nada estivesse direito,
Caminhando sem pé nem cabeça,
Fugindo, antes que o pior aconteça

Lá fora, a chuva forte,
Meus dias indo sem norte,
Acompanhados pela
Rotineira falta de sorte

Percepções equivocadas,
Erros, falhas,
Protegido por mentiras
Tomando decisões erradas

O barulho, ensurdece,
O frio, adormece,
O estranho, emudece,
O óbvio, enlouquece.


Por Ederson Hising

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pisei no meu óculos

Pela enésima vez tive a capacidade de pisar no meu próprio óculos. Sim, por mais que a medicina ocular evolua e que seja do conhecimento de todos que convivem com este escriba que ele usa lentes de contato, o jovem senhor ainda é escravo “dos óculos”.
Como se não bastasse ser portador de um elevado grau de miopia fui agraciado e contemplado eternamente com um tanto, que não sei quantificar, de astigmatismo. Traduzindo sem o auxílio de lentes de contato e do pisoteado óculos, não enxergo longe e o que vejo de perto fica embaçado. Espero que nenhum oftalmologista ao ler esse texto - se é que algum lerá - venha dizer que estou equivocado nas explicações, afinal, o problema quem tem sou eu. Tenho consciência para saber como e o quanto sou capaz de enxergar. Ainda, ainda!
Toda essa indignação com oftalmologista tem nome e sobrenome. Por motivos éticos paro por aqui. Apenas adianto para vocês, caros leitores, que um membro desta classe tratou meu problema de forma errada quando eu era um pequenino ser. O pior é que não existe cirurgia para a doença que tenho nos olhos, a qual nem sei o nome ao certo.
Eu só teria uma chance de enxergar normalmente, essa que o incapacitado disfarçado de médico jogou no mato. Anos mais tarde, quando realizei exame de visão para tirar minha habilitação, o tal médico, me considerou sem visão no olho esquerdo que eu enxergo – pouco, mas enxergo – e olho esse que ele deveria ter tratado corretamente.
Voltando ao assunto da escravidão, desde os 4 anos de idade - quando meu problema foi descoberto - uso óculos. As piadainhas não faltavam, “né quatro zóio". Claro que agora passo os dias com minhas lentes de contato. Porém, não posso dormir com elas e é exatamente ai, que meu óculos entra na história toda. Ao retirar e higienizar as lentes de contato, tomo posse do "amigo de infância". Este que utilizo para escrever algumas ideias à frente do computador. Feito isso, auxilia-me na caminhada até a cama e posteriormente é minha companhia para assistir ao Programa do Jô.
Quando chega o sono, lá pelas tantas da madrugada, retiro o querido companheiro e coloco-o ao chão, praticamente embaixo da cama. Só que dia desses, este ser estabanado acordou atrasado para ir trabalhar - o que faço diariamente -, até então nenhuma novidade. Mas, ao levantar querendo tomar café e banho ao mesmo tempo, eis que piso no coitado do óculos. Perna pra cá, resto pra lá. A haste esquerda ficou unida ao restante do óculos, creio eu, por dó. Àquela altura larguei o coitado jogado e todo "tronxo", como diz minha querida mãe, afinal de contas, eu precisava cumprir as metas individuais do PPR (Programa de Participação nos Resultados) e chegar atrasado mais uma vez seria um grande revés.
Horas mais tarde, ao retornar do trabalho, entretanto, não menos irritado em ver meu querido companheiro quase mutilado, coloquei a velha tática da gambiarra em ação. Nada que uma fita adesiva não tenha dado jeito na situação do pobre amigo de madrugadas. Tenho que admitir que olhar para baixo portando meu óculos não posso mais, pois, além de ter que refazer a gambiarra, riscaria as lentes, se é que tem lugar para mais algum risco.
Mesmo não sendo um fã de ter que usar tal acessório e sabendo que a qualquer momento posso ficar sem minhas lentes de contato, afirmo com convicção (também pudera, pois sem as lentes é ele ou nada) que não teria a mesma emoção ver o fusca verde de Erick Gimenes, as camisetas do Corinthians de Paulo André, as fanfarronices de Wilame Prado e Alessandro Trindade no serviço, muito menos as longas madeixas de Felipe Botion, sem meu velho companheiro de visão.
E já que a grana anda bem curta e meu óculos serve apenas de quebra galho, prefiro gastar meus trocados em outras freguesias. Mesmo pensando e pensando, ainda não encontrei definição melhor para meu amigo de longa data do que a da minha amiga Ana: "torto igual o dono".
Por Ederson Hising

terça-feira, 5 de maio de 2009

Eu em Cartola

"Quem me vê sorrindo
Pensa que estou alegre
O meu sorriso
É por consolação
Porque sei conter
Para ninguêm ver
O pranto do meu coração

O pranto que eu verti por este amor
Talvez
Não compreendeste
E se eu disser, não crês
Depois de derramado
Ainda soluçando
Tornei-me alegre
Estou cantando

Compreendi o erro
De toda a humanidade
Uns choram por prazer
E outros com saudades
Jurei e a minha jura
Jamais eu quebrarei
E todo o pranto esconderei."

Cartola


Por Erick Gimenes