quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pisei no meu óculos

Pela enésima vez tive a capacidade de pisar no meu próprio óculos. Sim, por mais que a medicina ocular evolua e que seja do conhecimento de todos que convivem com este escriba que ele usa lentes de contato, o jovem senhor ainda é escravo “dos óculos”.
Como se não bastasse ser portador de um elevado grau de miopia fui agraciado e contemplado eternamente com um tanto, que não sei quantificar, de astigmatismo. Traduzindo sem o auxílio de lentes de contato e do pisoteado óculos, não enxergo longe e o que vejo de perto fica embaçado. Espero que nenhum oftalmologista ao ler esse texto - se é que algum lerá - venha dizer que estou equivocado nas explicações, afinal, o problema quem tem sou eu. Tenho consciência para saber como e o quanto sou capaz de enxergar. Ainda, ainda!
Toda essa indignação com oftalmologista tem nome e sobrenome. Por motivos éticos paro por aqui. Apenas adianto para vocês, caros leitores, que um membro desta classe tratou meu problema de forma errada quando eu era um pequenino ser. O pior é que não existe cirurgia para a doença que tenho nos olhos, a qual nem sei o nome ao certo.
Eu só teria uma chance de enxergar normalmente, essa que o incapacitado disfarçado de médico jogou no mato. Anos mais tarde, quando realizei exame de visão para tirar minha habilitação, o tal médico, me considerou sem visão no olho esquerdo que eu enxergo – pouco, mas enxergo – e olho esse que ele deveria ter tratado corretamente.
Voltando ao assunto da escravidão, desde os 4 anos de idade - quando meu problema foi descoberto - uso óculos. As piadainhas não faltavam, “né quatro zóio". Claro que agora passo os dias com minhas lentes de contato. Porém, não posso dormir com elas e é exatamente ai, que meu óculos entra na história toda. Ao retirar e higienizar as lentes de contato, tomo posse do "amigo de infância". Este que utilizo para escrever algumas ideias à frente do computador. Feito isso, auxilia-me na caminhada até a cama e posteriormente é minha companhia para assistir ao Programa do Jô.
Quando chega o sono, lá pelas tantas da madrugada, retiro o querido companheiro e coloco-o ao chão, praticamente embaixo da cama. Só que dia desses, este ser estabanado acordou atrasado para ir trabalhar - o que faço diariamente -, até então nenhuma novidade. Mas, ao levantar querendo tomar café e banho ao mesmo tempo, eis que piso no coitado do óculos. Perna pra cá, resto pra lá. A haste esquerda ficou unida ao restante do óculos, creio eu, por dó. Àquela altura larguei o coitado jogado e todo "tronxo", como diz minha querida mãe, afinal de contas, eu precisava cumprir as metas individuais do PPR (Programa de Participação nos Resultados) e chegar atrasado mais uma vez seria um grande revés.
Horas mais tarde, ao retornar do trabalho, entretanto, não menos irritado em ver meu querido companheiro quase mutilado, coloquei a velha tática da gambiarra em ação. Nada que uma fita adesiva não tenha dado jeito na situação do pobre amigo de madrugadas. Tenho que admitir que olhar para baixo portando meu óculos não posso mais, pois, além de ter que refazer a gambiarra, riscaria as lentes, se é que tem lugar para mais algum risco.
Mesmo não sendo um fã de ter que usar tal acessório e sabendo que a qualquer momento posso ficar sem minhas lentes de contato, afirmo com convicção (também pudera, pois sem as lentes é ele ou nada) que não teria a mesma emoção ver o fusca verde de Erick Gimenes, as camisetas do Corinthians de Paulo André, as fanfarronices de Wilame Prado e Alessandro Trindade no serviço, muito menos as longas madeixas de Felipe Botion, sem meu velho companheiro de visão.
E já que a grana anda bem curta e meu óculos serve apenas de quebra galho, prefiro gastar meus trocados em outras freguesias. Mesmo pensando e pensando, ainda não encontrei definição melhor para meu amigo de longa data do que a da minha amiga Ana: "torto igual o dono".
Por Ederson Hising

Um comentário:

  1. Desde o início eu buscava uma explicação pra "dois a um". Não a definição que vocês davam, mas a minha própria. Acho que hoje cheguei a um ponto óbvio sobre a ideia que eu queria ter: dois bobões, possuindo um olho cada um. O esquerdo sobrevivente, até nisso vocês combinaram?
    Bom, voltando ao texto - e ao meu comentário, formalmente vestido de noiva, pra variar - a maneira jocosa o qual o jovem (nada de senhor aqui, tenho dito) Ederson, popular Hising, escreveu o texto se encaixa perfeitamente com a figurinha esquisita que eu conheci em dezembro de 2008. A mesma figurinha tão mutável quanto esta que escreve. Aplicar uma dose de si mesmo nos textos pessoais (dã), faz com que a legião de fãs e leitores (cof, cof) possam conhecer um tanto do adorável escritor na flor da idade - ou seria torta idade? Torta, igual a pessoa que fez para o verdadeiro amigo, uma narração em homenagem. Que buscou inspiração não no que via, mas no que o fazia ver. Ver que era torto, igual o zóclos.

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