domingo, 24 de maio de 2009

Impressões cotidianas – parte I

Da sacada que tem na varanda de casa, a vista é bonita. O céu não poderia estar mais azul claro. Vejo árvores em meio aos fios da rede elétrica, o telhado das casas vizinhas, um pedaço de um colégio infantil, ruas, carros e um senhor destelhando uma casa. Ele, de chapéu, bota preta, camisa surrada e calça jeans, acaba de tirar mais uma telha e calcular o que ainda precisa fazer.
Olho para o outro lado e vejo meu cachorro tomando sol. Frederico, como é chamado por minha mãe, está com cara de segunda-feira. O cão preguiçosamente levanta a cabeça ao ouvir barulhos de uma construção, enquanto um jovem passa de bicicleta com a aparência normal de uma segunda-feira.
Moro nesta residência deve fazer uma semana e alguns dias, ainda nem sei ao certo o nome da rua e se faz parte do centro ou de algum bairro. Pelo que ouvi meu pai dizer a ruela leva o nome do avô de um amigo meu. Mas, ainda preciso confirmar, afinal, um jornalista sempre tem a obrigação de checar as informações.
Duas senhoras passam fofocando do filho de alguém e Frederico late para um cobrador. Certo ele, cumprindo o papel que lhe cabe. Por um instante volto a enxergar a vida como um ser racional e atendo o homem que perguntou do meu pai. Respondo com educação, o senhor agradece e enfim, volto ao meu momento de inspiração.
De repente, tudo fica em silêncio que somente é quebrado com o barulho da vinheta do Vídeo Show oriundo da televisão ligada na sala, onde minha mãe tira uma soneca. Sentado, volto meu olhar para o telhado onde o senhor de chapéu tirava telhas. Aos poucos ele reaparece, agora, munido de uma “colher de pedreiro” e um balde com concreto.
Sozinho, como de costume, lentamente proporciono o encontro de minhas pálpebras. Mesmo de olhos fechados continuo a observar o lento e paradisíaco começo de tarde de uma cidade interiorana, até mesmo porque, é sempre igual.
Lembro dos meus tempos de garoto quando jogava bola no quintal uniformizado com o – como diria meu avô – fardamento do glorioso alvinegro praiano. Naquele tempo era tudo mais fácil, eu brilhava. Era o artilheiro e mentor da equipe. Agora sou apenas mais um entre tantos. Não jogo mais bola, a não ser uns “pelinhas” com amigos aos finais de semana. Minha carreira é outra, porém não menos disputada.

- Filho! Acorda! Tá na hora de ir pra faculdade.


Por Ederson Hising

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