quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Horácio, como nasceu

de meias pretas vai trabalhar
a cor da esperança a combinar
camisa em dois tons, alma de listras sem cor
sinal de miopia, nos fundos óculos e no pavor
vê-se pelo andar, arrastado, torto para danar
anônimo, tem todo dia de se apresentar
não basta, Horácio, fazer o que sempre quis
é preciso viver nu para ser feliz

Por Erick Gimenes

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Natureza pouca

Cinzas no compasso do ar seco
voando de leve, sem pressa,
descompromissadamente
elas roubaram o verde,
trouxeram a paisagem pouca
(poucas árvores, verde pouco
pasto pouco, pouca umidade)
não há nuvens nem tempo feio
na terra que em minha mente
tinha de ser verde.
Mas não era, não era época.
Tudo tem seu tempo,
ensinou-me a natureza.

Por Ederson Hising

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Secume

árvores e galhos ressequidos
e gados magros e mortos
e pastos queimados e incêndios e.

(Por Ederson Hising)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sem conserto

Joguei fora.

(Por Ederson Hising)

Entre ruas e avenidas

inútil e solitário,
Rei do abismo.
Segue só
e só segue.

(Por Ederson Hising)

domingo, 1 de agosto de 2010

Delírio

Envolto em lã
campo verde à frente
frenéticos absurdos
um cavalo a galopar
uns zumbidos e um uivo:
o cachorro está preso.

Envolto em lã, preso
o corpo nu, envolto em lã
o corpo, por dentro, rateia
o cavalo recuou
o copo d’água observa
sapatos, do contra, repousam.

Os braços não estão envoltos em lã
os pés, frios e suados, congelam:
com o vento com o vento com o vento
com o vento com o vento com o vento
com o vento com o vento com o vento
com o tempo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os três pedais

Aprendi que a vida tem três pedais, assim como os carros. E explico. Da mesma maneira que os automóveis, em sua maioria, são equipados com acelerador, embreagem e freio, a vida também é. Ando criando teorias nos últimos dias, essa é mais uma delas. Confesso, tenho ficado tempo demais em casa.

Começo pelo mais fácil, sim, o acelerador. Ainda mais quando somos jovens, fica tão fácil utilizar tal pedal. E mesmo se o nosso anda meio baixo, vem alguém e nos leva de carona – ou, até mesmo, guinchado. Quando tudo vai bem, aceleramos sem perceber. Subidas, descidas, curvas, tudo se torna fácil, o pedal dá conta.

Se algo vai mal, não é tão difícil assim acelerar - em determinados casos. E se não for com a gente então, esquece, não paramos de afundar o pé no pedal da direita.

A embreagem, dizem por aí, que é difícil de utilizar – eu não acho. Na verdade, para mim, este pedal é traiçoeiro. Sim, nos engana quanto à realidade, pois funciona mais ou menos como passar a mão na cabeça do filho. É, a embreagem é enganosa. Mesmo assim, não a condeno por completo. Tem lá suas funções – nos faz continuar muitas vezes.

Já o pedal central, o freio, este mesmo que por muitas vezes você se esqueceu que existia, é quem deveria ser parte fundamental de nossas vidas. Mas, não, preferimos arriscar. Frear pra quê? É coisa de careta. Eu também pensava assim – pensava.

Fato é que, em determinadas situações, somos rasos demais para vermos que devemos parar. Já fui desses que ignorava o freio. Parei com isso quando ele não foi suficiente. Sim, meus caros, às vezes, é tarde para tentar usá-los, e é exatamente neste momento, que, tardiamente, reconhecemos que o certo seria ter parado.

Já se vão quase três meses desde o dia em que meus freios não foram suficientes. A ferida ainda está aberta. Tratei logo de colocar um punhado de gases por cima – meu sorriso amarelo e meus olhos murchos – para que as pessoas não se espantassem. Ela teima em não fechar. Ainda me ensina.

O ponto final esteve perto. Entretanto, ganhei outro parágrafo. E só depende da minha inteligência com os pedais para transformá-lo em uma nova história.

Por Ederson Hising

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Criança

Mal sabem as crianças quantas somos. Falo isso porque, tão brinquedo quanto os carrinhos, peguei-me gargalhando de mim mesmo, flagrei-me coreografando a música que cantava sozinho lutando contra a água que escorria do chuveiro; alcancei-me, valoroso, correndo de braços abertos contra os ventos da inocência.

Antes já havia notado.

Vi-me fazendo birras para a vida. Soltei pipa com o descaso. Voei com as asas de Batman. E, pequeno, me pus na parede: para quê quero mais vida que isso?

Talvez os fios de barba semicrescidos em meu rosto, já sujo, tenham me deixado esquecer alguns valores.

Deitar no chão com Pingo, descalço, rolar com ele como se o mundo fosse ladeira de duas almas sem quinas. Ignorar a imundice das meias, que pouco importava se elas me davam a oportunidade de tirar os pés do chão, de deslizar. Deslizar um sorriso, escorrendo sobre o rosto ainda sem pancadas.

Quão egoístas somos crescidos, ao ponto de chatearmo-nos quando chamados de crianças, de acharmo-nos melhores que elas - que não estão nem aí para esses conceitos infantis. “Seu criança”, julgam os donos da verdade, enrugados de alma.

Orgulho-me por guardar um fio dos tempos bons. Os homens, tal qual as frutas, amadurecem para cair.

Infelizmente, já rolei o chão. Os mesmos galhos não me sustentarão novamente, não posso voltar a mesma forma que tinha, mas guardo, com a sinceridade das plantas, a seiva que abstrai das raízes.

Eu sei, o dia acabou. Eu só queria brincar mais um pouquinho.


Por Erick Gimenes

domingo, 25 de julho de 2010

Eu no mundo

Já botei tudo a perder e não perdi,
já fui longe demais e consegui voltar,
já dei razões para não merecer outras chances
e nem por isso deixei de dar certo.
Já fui tão óbvio a ponto de reconhecer
os erros antes de cometê-los.
Já me afundei em vícios e consegui me livrar,
já dei provas de que posso mais,
só não entendo os males que acometem.
Eu tenho pago por tudo que fiz.

Já dei murro em ponta de faca
e me machuquei tempos depois.
Já cansei de rimar,
já cansei também de tentar
pôr as vírgulas nos lugares certos.
Já perdi a conta das ajudas que recusei,
já pensei em tantos erros passados e chorei.
Já faz tanto tempo que te procuro,
já utilizei todos os artifícios ao meu alcance.
E se tudo deu errado
procuro o que possa ter dado certo.
Mesmo que não exista.

Por Ederson Hising

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cicatrizes

As cicatrizes
são mais do que marcas físicas,
são mais, bem mais do que isso

tenho duas:
a da perna, molequice
a do queixo, burrice.


(Por Ederson Hising)

domingo, 18 de julho de 2010

Sala de espera

.




























Nada,
nem ninguém.


Por Erick Gimenes

sábado, 10 de julho de 2010

Cheiro de chuva

Devorava os telejornais do almoço. Esperava, engolindo o arroz petrificado a seco, inquietando-me nas costuras do sofá creme, a moça sentenciar o que viria. O sol, quando brilhava na tela, apagava meus anseios. Eu, que louco, torcia pela previsão de chuva como que por um gol de meu time.

Queria ela. Aquela voz, batendo ao chão, total fascínio. Amava ouví-la, na janela de meus ouvidos, e viajar, surfando nas águas que não passavam de gotas. A chuva, sim, era meu sol. Era minha galáxia.

Via em seu semblante que ela queria levantar a poeira de meu espírito – elevá-lo até as nuvens, para que, penso eu, mostrasse seu crescimento no álbum de recordações que guardara. E eu alcançava os céus mesmo, infalivelmente, quando ela dava as caras. Era minha paz, meu delírio.

Intrigante como sempre me trazia bons momentos. Era aparecer e, junto, vinham novas ótimas a mim. Aquele beijo, aquela festa, aquele pedido. Aquela menina, e aquele abraço. Aquele choro. Deleite. Tudo ao seu lado.

Todas as coisas encharcavam-se com sua presença, assim como eu. E não contentava-me com as garoas que me sorriam meia-dose. Era louco mesmo pelas mais assustadoras tempestades, repletas de raios e trovões. Elas pareciam ter saído do mesmo pote que eu. Eram, cabeças-duras, sinceridade à tona, feitas da pureza da loucura. Gritávamos, eu e ela, com os olhos, um ao outro.

Por muitos dias, ela sabe, senti-me sozinho. Muitas vezes precisei de seu afago, mas ela não é minha - eu é quem sou dela -, e tive que engolir, como o arroz, sua falta a seco. Mas bastava olhar aos céus, e lembrava-me do que mais admirava.

Seu cheiro.

Pedia, com as mãos ao alto, seu abraço, para que pudesse sentir aquele aroma. Por minha vida, que doçura era aquela? O perfume de sua chegada me trazia euforia. Era prenúncio de vitória. De colo. Era sob seu ar que, mais tarde, vivia os melhores momentos de minha história.

Cheirá-la era meu vício.

Mas, sequei-me. Em tempos, perdi-me no deserto. Não sentia mais os temporais, pois, no árido de minha vida, eles não existiam mais. Enterrei todas minhas conquistas, antes celebradas por eles, na areia daquela imensidão de erros. Sem ela, senti sede. Senti-me só.

Desidratado, rolei nas dunas à procura de qualquer gole que pudesse me salvar. Deitei, atolado, e supliquei. Rendi-me, jogado.

A chuva. Queria ela. Precisava dela. Preciso dela.

Hoje ainda tenho a boca seca. As freqüentes profecias da moça do tempo não me levantam tantos suspiros como antes. Aquelas tempestades, como eram, talvez não apareçam nunca mais. Talvez, vai saber, a pureza daquele tempo nunca mais me molhe.

Mas me sinto bem. Rios de grandeza, sob as máscaras de amigos, têm cuidado de minha secura. A cada dia, nascentes de águas puras parecem umedecer, pouco a pouco, meu ser. Nuvens carregadas, que só o vento sabe para onde vão me levar - e que parecem decorar, novamente, o céu de minha alegria.

Que as águas rolem. Sinto cheiro de chuva.



Por Erick Gimenes

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sóis

Sóis de anos
bem anterior a mim
a isto que me cerca
- anterior ao quê?
Conflitos existenciais
com a única razão
de descobrir o que antecede
se é que antecede.
Deus existe – e já deu provas.
E o Sol sumiu, vagaroso,
sem pressa deu lugar à noite
que rouba a luz de certos dias
- e o que são os dias?
As águas claras e turvas
brincam de se misturar
seguindo a ordem das cores
transformando cenários.
Os coloridos disformes
colorem colorem colorem
descolorem.
Ouço ruídos, sons diários
vozes conhecidas
o sistema de barulhos,
perfeitamente, dá o tom
enfeita assusta transforma
emociona chora
chora meu choro
junto a mim e às lágrimas
lástimas, medos
inebriado com o vento
leve leve levado
por instantes e detalhes
inconvenientes imprecisos
momentos só e só
debaixo dos sóis repetidos,
vago, divago.


Por Ederson Hising

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Morte

Romperam-se as conversas as inimizades
os contatos os gritos as farras
as marcas os braços as pernas,
rompeu-se o tórax a cabeça a dor,
numa pancada veloz.
Rompeu-se a vida, repentinamente,
sem dó.


Por Ederson Hising

sábado, 22 de maio de 2010

Entorpecentes

A mente girando
em ciclos viciosos
de tempo.
E o tempo não passa.
Flashes de tempo,
frames prolongados.
Quadros perdidos
no intervalo de segundos,
em horas.
A leve brisa
faz-me sentir como pluma.
E o tempo,
o tempo não passa.


Por Ederson Hising

domingo, 16 de maio de 2010

O dia em que eu nasci

Ao som de viola e rock and roll,
a infelicidade à minha frente.
As luzes se apagaram
e algo, de dimensões gigantescas,
crescia, aproximava-se.
Um impulso, o resto do reflexo
esquerda, pensei, porque direita...
não, não deu tempo
de pensar em direita.
Um estouro e um vôo,
os intermináveis segundos
de angustia e desespero.
Berros, ferros, plástico,
borracha, medo, ecos.
Giros e mais giros.
Tudo parou.
O primeiro suspiro
veio com a vontade de sair dali.
É o céu? É o inferno?
Eu estou vivo?
Um anjo apareceu,
estendeu a mão
e me ajudou a sair.
A perplexidade estampada
as ferragens retorcidas
e emolduradas, meticulosamente,
por mãos divinas.
Formaram um casulo, o meu.
Sangue no rosto, cortes no corpo
Hematomas de felicidade.
Anjos não paravam de chegar
de toda parte, doces,
cuidadosos como uma mãe.
Anjos me levaram de lá
Anjos me trouxeram pra casa
Anjos divinos, eu vi Deus.


Por Ederson Hising

sábado, 8 de maio de 2010

Conquista

Transcende qualquer tipo de sentimento. É vital, indefinível essa emoção inigualável. E eu vibrei, como tantos outros. Eu senti novamente aquele gosto de ser o maior por alguns instantes, de poder extravasar sem me preocupar com quem estivesse ao lado. Como há muito não fazia, urrei uma felicidade – que para os outros naquele momento – estava estampada em meu semblante. Pude, ao menos por instantes, soltar um grito bem alto – e libertador. Junto a ele, estavam meus problemas, minhas angústias e a mais sincera felicidade que um ser humano pudesse sentir. Apanhei bandeira e abraços. À minha volta, fulanos e cicranos desconhecidos que sentiam o mesmo que eu. Eles tinham seu momento de glória – nós tínhamos.

Por Ederson Hising

sábado, 24 de abril de 2010

Noites claras


Largo meus pensamentos à geladeira, fria como as noites que estou passando. Sentados, sob a romântica cena, eu a mesa oval fitamos a só lâmpada de meu refrigerador escancarado. Peço conselhos ao silêncio – junto aos meus ouvidos, ele urra consciência, traz claridão aos meus miolos, já bastante consumidos. Ela, cara de pau, mantém-se de boca fechada. E os solos da guitarra genial baladeiam meu cérebro, como que com os dedos - tocando, tocando, tocante. A frieza do eletrodoméstico continua aberta, como em minh´alma, gastando a energia que não me incomoda mais – pois não a tenho há tempos.

Peço um brinde. Toco meu copo d´água ao vento, num movimento vazio, e sorrio. “À bela noite!”, exclamo. Porque não comemorar encontro tão feliz com as verdades que me permeiam? Caio sobre a mesa aos abraços, e lhe declaro amor. Por mais dura que seja, ela tem sido amiga, de verdade, em baladas como esta. E a peço licença. Preciso, olho a olho, encarar a nudez dos fatos. Ficamos algum tempo ali, abraçados diante das estrelas, loucamente apaixonados pelos mistérios da vida.

E o sol vem, esquentando minha gelidez, deposta em formas estranhas. E faz-me menos frio. E me amanhece. E me destrói. E vem. E vou.

A alvorada, que se aproxima, tem sido clara demais para os homens, cegando os olhos dos que os abrem sem destreza. Visão, quem diria, causa dependência.

Eu, a mesa, e os fatos, perdidamente deitados sobre a lua. Só a noite me dá tal oportunidade. Prego meus joelhos ao chão recortado em quadrados brancos, e, rendido, suplico: que minhas queixas morram ao clarear! Que os dias sejam tão sinceros quanto a escuridão! E que o café da manhã seja melhor que todo este leite derramado.


Por Erick Gimenes

domingo, 18 de abril de 2010

Poema do tempo

Olho para o relógio
os ponteiros indicam:
faltam cinco pras duas.
É madrugada não faz calor
nem faz frio
o mês é fevereiro
o quarto está repleto
de poeira e madeira.
Preciso acordar às seis.
Os ponteiros do relógio indicam:
são duas horas.
Ao lado, copos sujos
livros e cadernos amontoados
e o sono não vem.
Quatro horas seriam suficientes
pra dormir, descansar,
mas jamais pra te esquecer
e são muitas as horas pra driblar
a falta que me faz você.

Por Ederson Hising

segunda-feira, 29 de março de 2010

Queda

Por mais que caio
não sinto os pés tocarem o chão.
Parece não haver limites
neste declínio em que me encontro.
Tudo estava aparentemente bem,
aparentemente. Sem me dar conta,
o império ruiu.
Não é mais uma história de sucesso.
O inferno já chegou
e mesmo assim o limite do declive,
simplesmente, parece não existir.
Sem me dar conta, o império ruiu.
Me sinto, irrevogavelmente,
na velocidade terrível da queda.
Os castelos construídos na infância
caem, um a um, dia à dia.
Me empurram e pisam, enquanto
a escuridão toma conta do ar
- não rimo por não haver sentido,
não, nada faz sentido.


Por Ederson Hising

quinta-feira, 25 de março de 2010

Parabéns

Hoje é dia de festa para o “Dois a um”. O aniversário de um ano deste blog representa muito mais do que uma simples passagem de data. Do projeto um tanto quanto torto abortado em meio a uma aula paumolescente qualquer, à confecção de textos com estilos extremamente próprios, percebemos que mesmo assim havia sempre uma semelhança nas publicações.
O filho de dois pais, o blog, para seus progenitores se tornou muito mais do que um espaço para expor ideias. “Dois a um”, para nós, transcende qualquer tipo de explicação. A alma “Dois a um” está em todas as nossas linhas e isso não depende mais de nós.
Muito obrigado a você que nos lê. Eternidade à alma “Dois a um”. Quanto aos dois escribas, eles têm muita lenha pra queimar ainda.

domingo, 21 de março de 2010

Estado de espírito

Letra da canção "O mistério", do mestre Lobão.

"Acho que o mistério me escapa
E daí que estou cansado
Talvez um dia eu acabe por me convencer
De que estou enganado
E ache o porquê
De todo o mal parado
Que eu senti sem ver
E talvez um dia respirar sem medo

Nada me leva a crer que eu descubra
Todo esse segredo a tempo
E a vontade de saber o que aconteceu
Não me sai do pensamento
Não me deixa respirar
Não me sai da idéia o tempo
Até o mistério clarear
E depois de tudo descansar sem medo"

sábado, 20 de março de 2010

Tantos momentos, tantos

São tantas dores passadas
tantos maus momentos
maus pedaços
são tantas as coisas
que me abalam
são tantos os problemas
as dificuldades os deslizes
meu português de “menas”
são tantos os medos
tantas palavras malditas
e malditos momentos de dizeres
pouco amenos
tantas coisas que deixei de falar
são momentos que se foram
são momentos que virão
à espera do derradeiro momento
- o alívio.


Por Ederson Hising

quarta-feira, 17 de março de 2010

Deficiência

mudo mundano
mudando o mundo
aos berros
às deixas

astigmáticos
atos caquéticos
deste
surdo-mundo



Por Erick Gimenes

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Lapso

Num lapso você retorna à mente
com sua beleza uniforme
e isso me deixa confuso.
No quarto olhando pro teto e sem sono
lembro do vestido e do cheiro
e isso me deixa mais confuso.
No trabalho você reaparece no monitor,
não são boas notícias,
e isso me deixa mais confuso.
Sentado na calçada deliro são
já não sei o que pensar
e isso me deixa mais confuso.
Veio num lapso e ficou.
Aquela noite se foi,
se foi, e não voltou.

Por Ederson Hising

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Uma pena

“O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa.” Era o que ouvíamos na tevê da salinha daquele que hoje é um pré-histórico computador. Como foi bom aquele tempo que, por mais que eu queira, não volta mais. Éramos felizes. Brigávamos e fazíamos as pazes. Brigávamos novamente e dois segundos depois estávamos lá, um bajulando o outro. Hoje, aqui, sentado em frente a um computador qualquer, tornei-me um sedentário, chato, cheio de vícios e solitário. Ao olhar essas fotografias antigas o choro sempre será o eterno companheiro. Uma pena você ter mudado tanto assim. Uma pena a vida não ser como outrora. Uma pena.

Por Ederson Hising

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Não sai

não me sai da ideia
tento fugir mas me encontra
tento encontrar mas foge
não me sai da ideia
volta tempo, volta
aquele dia insiste
em não querer voltar
as marcas estão no vidro
as digitais e as gotas secas
cansado demais pra me iludir
não me sai da ideia
tento fugir mas me encontra
tento encontrar mas foge
não me sai da ideia
aquele dia insiste
em não querer voltar
poderia dizer mais
acho que não preciso
sou claro o bastante
não me sai da ideia
tento fugir mas me encontra
tento encontrar mas foge
não me sai da ideia
aquele dia insiste
em não querer voltar
as digitais e as gotas secas
as marcas estão no vidro
e além dele, muito além
- ainda falta, volta.

Por Ederson Hising