- Me vê um café e um salgado, por favor, disse o rapaz segurando uma nota de R$ 5.
Cansado, ele seguia para o único momento de refeição no dia. Consumido pelas horas e pelo estresse do trabalho sentou-se num banco qualquer e deleitou-se com o salgado que tinha recheio de carne moída barata. O café, companheiro de longa data, mantinha os olhos – do moço de barba mal feita –, abertos. Camisa amarrotada, blusa cheirando cigarro, calça surrada e sapato sujo. Sim, o dia além de tudo, ainda rendeu-lhe os itens descritos.
Rapidamente, bebeu o último gole de café e passou a blusa limpando a boca. Levantou-se com as costas tortas, empunhou a mochila pesada e seguiu o caminho até o ponto de ônibus. Chegando lá, cumprimentou com a cabeça um senhor e encostou-se no primeiro pilar que encontrou pela frente.
Com dez minutos de atraso o metropolitano chegou. O moço entrou e sentou-se no primeiro lugar que viu pela frente. Colocou os fones de ouvido, pegou um livro, mas nem a música, muito menos a literatura prendia a atenção do jovem. Havia algo de estranho.
Ao descer do ônibus, acendeu o ultimo cigarro que tinha no bolso e caminhou, sem rumo. Pensava nos filmes que ainda não tinha visto, nos livros que não havia lido e também naqueles que sonhava em escrever. Cantarolando algum rock progressivo, correu.
Quarteirões, avenidas, travessas, praças, viadutos. Correu. Sentiu calor na noite de frio. Suou tomando vento gelado. Correu. Queria fugir de si mesmo, mas era em vão. Tinha medo de estar acompanhado pela consciência, pois ela traria consigo a razão.
Desmotivado. Esgotado da racionalidade hipócrita do cotidiano. Parou. Gritou para quem quisesse ouvir. Apenas gritou. Um grito atordoado, desencontrado. Cansou. Dormiu. É, ali mesmo, no chão da calçada. Com o peito doendo e uma lágrima sincera escorrendo pelo canto do olho.
Acordou. Sozinho partiu com a feição abatida. Sem mais a fazer, mesmo jovem, cansou-se da vida.
Por Ederson Hising
Reinvenção de Vanessa da Mata
Há 7 anos
Rapaz, um dia, indo embora do Cesumar a pé, corri igual um louco também, e era frio, e eram carros passando com maurícios e patrícias me olhando, e era a única forma de eu desviar por pelo menos cinco minutos os infortúnios que invadiam minha alma, e era dolorido sentir aquele vento gelado nas bochechas e orelhas. Enquanto corria, por mais clichê que fosse, lembrei-me de Rock Balboa nas famosas escadarias, correndo em busca da superação.
ResponderExcluirBom texto, parabéns!
Hising e seu menino-velho. Inseparáveis. saoihsaas
ResponderExcluirMuito bom, rapaz. Muito bom.
Nada melhor do que uma coxinha de buteco
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