quinta-feira, 16 de julho de 2009

Me chame a biciclância



Ao cruzar o sinal vermelho, um motociclista, arrebatado por um carro a 70 Km/h, em média, bate com a cabeça ao chão, após ser arremessado a 15 metros de distância. Os poucos espectadores desesperam-se, em busca de ajuda repentina. Logo, o senhor que guiava o veículo, aflito, toma o celular à mão e contata o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, para que os primeiros socorros sejam prestados.

Passa-se dez minutos; se ouve a sirene e, para o espanto de todos, vê-se um pequeno giroflex, menor que o comum, pendurado sobre uma moto 250 cilindradas. Pois a nova tendência chegara também à saúde pública.

Após a regulamentação de serviços como mototáxi, motoboy e motovigia, o Ministério da Saúde também resolveu aderir à moda sobre duas rodas, investindo R$ 6 milhões em 400 motocicletas, possivelmente usadas para o auxílio nas emergências. São as “motolâncias”.

Ao ler essa notícia, assustei-me. As estatísticas logo me vieram à cabeça - que tinha os olhos arregalados -, me fazendo lembrar que os acidentes mais graves e freqüentes acontecem justamente com as motocicletas. Tive preocupação. Serão seguras tais unidades? Elas serão imunes ao perigo, mesmo obrigadas a andar em alta velocidade? Na dúvida, prefiro lançar-lhes minha ideia, bem mais conveniente: as “biciclâncias”.

As biciclâncias, veículos paramentados para oferecer ao paciente maior conforto nas ocorrências de emergência, terão todos os aparatos comuns à ambulâncias europeias. Nelas, haverá cilindro de oxigênio, baú de carga, colares cervicais, desfibriladores externos, luvas estéreis, ataduras, compressas, seringas e cateteres e uma televisão de plasma, todos à garupa.

As bicicletas, em si, também serão de grande qualidade, oferecendo ao necessitado selim revestido a silicone, luvas de borracha, retrovisor - dos dois lados – e, o essencial, sirene a ar. De fato, o equipamento será de ponta.

À minha precisão, mais R$ 6 milhões, e teremos mais mountain-bikes que nas ruas de Pequim, atuando em prol da saúde. As vantagens, caro futuro paciente, serão inimagináveis.

Pense comigo.

A cada mês, com a economia de combustível, poderemos adquirir mais dez veículos, abastando o país inteiro. Além do mais, acariciaremos a natureza com a preservação do ar, cada vez mais puro. As árvores, de joelho, agradecerão a nova proposta.
Os pilotos-socorristas passarão por um criterioso processo de seleção. A ideia é garimpar sujeitos trabalhadores da matina, pós-graduados em ciclismo trabalhista, e os inserir medicina à cabeça, por osmose. Com certeza, serão melhores especialistas em saúde do que os japoneses são em mecatrônica.

Mas, me deixe chegar ao ponto principal: a segurança. Garanto-lhe que não existirá, nos próximos cem anos, meio de transporte mais seguro que as biciclâncias. Os capacetes, que também têm função de colares cervicais, são o primeiro triunfo do moderno sistema de segurança que ela oferecerá. Os airbags e apoios laterais infláveis darão o restante do apoio necessário. Em último destino, caso ocorra algum acidente, fique sosegado - cientificamente, não existe chance de danos. Basta levantar-se, estapear a poeira dos joelhos, e tomar-te o rumo. Maravilhoso!

Pensando com mais apreço, acho que vou levar a ideia adiante. Me candidatarei à próxima eleição, ou, no mínimo, pechincharei algum cargo para meus tios, que trabalham com isso. Prometo defender a causa com força, afinal, bicicletas ainda são ótima alternativa para quem anda a pé, como a saúde no Brasil.



Por Erick Gimenes

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