
Ainda não me desce à garganta, mas Michael Jackson morreu. Em casa, o astro mais reluzente da constelação musical nos deixou, frágil, triste, sozinho. Seu coração não agüentou a dubiedade do sangue corrente, mistura de extremo talento e perdição. Confesso que é difícil, quase que inimaginável, eu, articulista e fã, não escrever com o coração neste momento. Que me perdoem os racionais ortodoxos, mas Michael era só coração; em sua homenagem, também serei.
Escrevo a batimentos, sim. Ato falho jornalístico. Porquanto, sinceramente, não entendo os que escrevem e falam com a soberba, com a superficialidade. Não compreendo os que julgam-se sabedores do que não sabem. Digo isto por que li mais absurdos sobre Jackson do que a tiragem do disco “Thriller”. Detalhes e revoltas não cabem na ocasião. Por respeito, quero falar coisas boas.
O “rei do pop” não obteve hegemonia somente em terras próprias. Michael era conquistador. Comandou revoluções, abocanhou todos os territórios musicais, uniu gregos e troianos e foi aclamado como o maior. Mesmo assim, alguns bobos da corte ainda insistem em relevar somente os deslizes que cometeu, ignorando a grandiosa obra que construiu.
Gênio, sempre viveu sob turbulências, afogado em psicoses e medos. Nunca foi feliz. A opressão e o autoritarismo do pai, Joe Jackson, que o espancava física e mentalmente, não o deixou saborear a infância. Pelo restante da vida, tentou resgatá-la, mas, infelizmente, a alegria não quis dançar com Michael.
Jackson foi o artista que mais vendeu discos na história da música - mais de 200 milhões de cópias - e tinha todos os atributos para tornar-se um dos maiores ícones da música, como, de fato, se tornou. No começo da carreira, com o Jackson 5 - grupo formado por ele e os irmãos - cantou a mais doce voz já ouvida ao mundo, aos cinco anos. Deixou todos boquiabertos; nunca havia se visto afinação tão perfeita. Cresceu e dançou como nenhum outro ser humano havia dançado, arquitetando o passo de dança mais fabuloso e conhecido da história, o “Moonwalker”. Ainda, foi grande produtor e compositor, além de precursor dos videoclipes e shows espetaculares, carregados de encanto. Foi único, genial.
Repito: Não acredito, mas o maior artista de todos os tempos foi-se. Sucumbiu a tão grande talento, esquizofrenicamente maior que a estrutura emocional e psicológica que o sustentava como humano – se realmente era. A magia não coube aos ombros. Michael Jackson foi e sempre será lenda, mas morreu sem conseguir realizar o sonho de ser homem, somente homem.
A indústria musical, reino de Michael, passa por grande fragmentação, como o mundo todo, e não será capaz de produzir outra jóia-rara como a que acaba de se perder. Talvez Michael Jackson seja o último a sentar-se no trono dos acordes, deixando um vazio impreenchível. Ele foi fora de série, foi mito, foi o rei mais extraordinário que vi. Para sempre a arte chorará lágrimas melódicas pela perda de seu maior astro, que subiu até o inalcançável alto dos céus, foi apedrejado, e morreu jogado ao chão, sem luz e fora de órbita.
Por Erick Gimenes
Não é a música que escuto quando estou em casa, mas é impossível não arriscar o "moonwalker" quando começa a tocar "Billie Jean" =D. Embora não seja um fã, não sou hipócrita em não reconhecer o imenso talento e importância de Michael Jackson para a música. Um grande artista que nunca será substituído, pois sempre será lembrado. R.I.P.
ResponderExcluirEu como uma fã eterna de Michael Jackson, fico feliz em ler um texto onde não é levado em conta, como você mesmo disse, as coisas ruins que marcaram a carreira de Michael. Ele foi rei, ele sempre vai ser rei. É muito triste saber que perdemos esse artista, que deixou uma herança musical muito valiosa, mais como disse o Elton, 'nunca será substituído'. Parabéns Erick, o texto está ótimo.
ResponderExcluirNão era o tipo de música que eu ouvia em casa. Mais confesso que gosto de algumas músicas, Billie Jim, Beat It, Black Or White, They Don't Care About Us, enfim, músicas que todo mundo conhece e com certeza gosta. Com a sua morte aprendi a respeitar ainda mais esse gênio da dança e da música. Eddie Van Halen, Slash e Paul McArtney são exemplos de grandes músicos que fizeram parceirias com Jackson.
ResponderExcluirMuitos dizem que ele era pedófilo, que era viciado em remédios, mas ele era mesmo uma pessoa de bom coração, sempre fazendo campanhas humanitárias, We Are The Wolrd é um exemplo disso. Qual outro artista do parte de Michael se comprometeu com tal causa?
Belo texto Parigot, parabéns
Não se abre lacuna para questionamento. Michael Jackson é certamente a voz de toda uma geração. Parabéns pelo texto Erick!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirNão é só de Beatles que vive uma geração, as que seguiram a sequência tiveram também sua marca musical. Sobreviverão de que maneira a partir deste marco histórico? Agora, de fato, virou mito. E os aspectos negativos apurados que eclodem como se fossem modificar o perfil do astro, nada importa, nada. A contribuição foi feita, a carreira, o nome. Michael Jackson continuará brilhando, independente de onde esteja. Neverland, never forget.
ResponderExcluirPreciso realmente falar que o texto ficou ótimo, Erick? O lado fofo da apuração diz que convém também comentar com o coração, e dizer, partindo do lado esquerdo, que descreveste brilhantemente essa breve homenagem ao Moonwalker.