Quinta-feira, seis e pouco da tarde, os dois amigos rumam sentido a qualquer boteco de esquina. Para começar, nada melhor que uma cerveja bem gelada. Como dizem os apreciadores diários de tal bebida, os rapazes estavam, apenas, “molhando as palavras”. O bate papo ainda estava comum, até que, garrafas depois, a conversa tornou-se aquele famoso papo de boteco.
Todo brasileiro que se preze, algum dia, já discorreu acerca de sua filosofia de vida sentado à mesa de algum botequim. Era o que os dois moços faziam. Entre cerveja e outra, e, espeto e outro, a conversa engrenava e tomava rumos cada vez mais filosóficos. Jovens, mas preocupados com o futuro, discursavam sobre os medos e anseios profissionais e de vida.
Célebres seres humanos condenados ao esquecimento, a cada copo de cerveja, viam a vida com olhos mais tristes e um tanto quanto saudosista. Sabedores do tudo e do nada, viam carros passando pela avenida e percebiam, exacerbadamente, como era no mínimo ridículo, o cotidiano.
De acordo com eles, a vida meus caros, é trágica. Razões sobravam para os dois moços partilharem da mesma opinião. Em determinadas ocasiões, as filosofias de boteco, são compatíveis em mais de uma mente insana. Os amigos conversaram também sobre as mulheres. Essas atormentadoras de pensamentos e causadoras de infelicidade, os fizeram gastar alguns copos da bebida fermentada, feita da cevada, do lúpulo e d´outros cereais.
Escafandristas do pensamento alheio, algumas pautas para a construção de filosofias de bar são retiradas do silêncio da mesa em que se está sentado. Pois é nessa hora, que a vida dos outros, assim, sem querer, penetra nos ouvidos de quem viaja por perto. Foi dessa forma que a visão sobre as mulheres mudou por alguns instantes, afinal, a loira conversando sobre o namorado ao lado e a morena passando à frente, deixavam o olhar sobre a vida mais ameno e um tanto libidinoso.
Depois de horas ali sentados, à beira da rua, cheirando churrasco e com bafo de álcool, os amigos se esgotaram. O levantar da cadeira pareceu mais uma passagem de volta ao mundo real. Depois que cada um construiu a carreira e criou os filhos de umas três maneiras diferentes, partiram de lá para a sequência de suas vidas. Fazendo o que todo mundo faz; sendo o que todo mundo é; vazios como todos são.
Por Ederson Hising
Reinvenção de Vanessa da Mata
Há 7 anos
Ah! Filosofia de boteco é ótimo! Algumas das melhores discussões que presenciei foram em uma mesa de bar, regadas a muita cerveja! Estranho é pensar que depois de tantas piras produtivas, todos (ou a maioria) voltam pro seu mundinho fechado, indiferentes.
ResponderExcluirBeijos, parça!